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domingo, 2 de outubro de 2011

Obuseiro auto-propulsado M8 (M8 howitzer motor carriage)

 Base histórica:
A guerra mecanizada adicionou mobilidade ao campo de batalha, obrigando as várias armas a se adaptarem a novas necessidades. É o caso da artilharia que se viu obrigada a acompanhar  as outras armas para cumprir suas missões seja na defesa anti-aérea, anti-carro ou na artilharia de campanha.
A partir desta premissa, foi procurada a conjugação desta com os blindados como forma de acompanhar o movimento, mas também proporcionar proteção visto que esta também estaria mais exposta ao inimigo. Todos os exércitos procuraram desenvolver estes armamentos, usando para isso chassis/cascos de blindados já existentes. O limitador do canhão/obuseiro transportado era o tamanho do casco, surgindo então blindados de artilharia auto-propulsada de vários calibres e funções.

O M8 é um obuseiro auto-propulsado de topo aberto baseado no casco do carro de combate leve M5 Stuart. Era dotado de um obuseiro M2/M3 de 75mm cujo tubo curto lhe conferia um aspecto bastante característico. Quando montado no casco do M5A1 era chamado de M8A1.
Encontram-se também referências onde é chamado de T47 ou M8 Scott.
A ordem de sua produção data de abril de 1942 mas a produção efetivamente começou em setembro de 1942 extendendo-se até janeiro de 1944 com um total de 1778 veículos produzidos.
M8A1 do 106th Cavalry Recon Group na Europa ocidental














Entrou em serviço com o Exército Americano nos teatros de operações da Itália, Europa Ocidental e Pacífico. Foi usado pelos franceses da 2a Guerra Mundial até a 1a Campanha da Indochina.

Um M8A1 francês entrando em Paris em 1944.

























Por tratar-se de um veículo leve e rápido, podendo desenvolver 58 km/h (36 mph), normalmente acompanhava Undades de Reconhecimento e/ou Pelotões de Assalto. Ellis refere que era comumente usado nas Companhias de de Comando de Batalhões de Tanques (CC).

Modelo:
O modelo (M8A1) utilizado é o da Tamiya, construído sem grandes modificações. Sua pintura foi feita com a Model Master green drab. Foram aplicados washes de Tamiya flat earth (XF-52) para dar ao modelo uma aparência empoeirada.
Os trens (equipamentos) utilizados são peças de resina e madeira (balsa) de minha própria fabricação.








































Obras consultadas:
Elis, Chris. The great tanks: New York: Hamlyn, 1975.
Gudmundson, Bruce I. On armor.London. Praeger. 2004
www.olive-drab.com
www. usarmymodels.com
www.wikipedia.org/wiki/Howitzer_Motor_Carriage_M8
Zaloga, S. Stuart U. S. light tank in action: Carrolton: Squadron/Signal, 1979.

domingo, 11 de setembro de 2011

O M-41 Walker Bulldog

O M-41 foi o primeiro carro de combate do pós-guerra adquirido pelo Brasil. Chegando ao País nos anos 60 e permanecendo em atividade até a chegada dos Leopard 1A1 BR e M-60 A3.

Base histórica
O desenvolvimento do M-41 remonta a 1946, na necessidade de se substituir o M-24 Chaffee, e fazer frente aos novos modelos soviéticos. Iniciou-se então o projeto de um carro conhecido como T-37 que teria características de velocidade e mobilidade semelhantes ao M-24 mas com um armamento mais poderoso. Desejava-se também que pudesse ser transportado por avião, o que limitaria seu peso.
Após várias versões de torre chegou-se a um modelo com uma torre mais esguia e um canhão de 76mm, movido por um motor à gasolina Continental de 500hp. Este carro foi redesignado como M-41 e colocado em produção pela Cadillac Motors. O nome Walker Bulldog é uma homenagem ao Gen. Walton Walker, morto em um acidente de jeep na Coréia.


Foto: A linha de produção dos M-41.
Fonte:  The tank journal.











Apesar de bem quisto por suas tripulações apresentava problemas como o alto consumo de combustível, que lhe diminuia o raio de ação, o excessivo barulho de seu motor, a tendência de seu sistema de escapamento ficar avermelhado durante o uso e seu pouco espaço interno.
Vários exemplares foram enviados para a Coréia em 1951 mas não foram usados em grandes ações ficando relegados a missões de reconhecimento devido a reestruturação das divisões americanas. Subtituíram também os M-24 na Europa com a mesma missão.
Em 1969 começou a ser substituído pelo M-551 Sheridan no Exército Americano.


Foto: Um M-41 americano da 3 Div. de Inf. em treinamento na Alemanha.












Foi amplamente utilizado pelo Exército do Vietnam do Sul, substituindo seus M-24 a partir de janeiro de 1965, sendo onde mais entrou em combate e com bastante sucesso.


Foto: Um M-41 do Exército do Vietnam do Sul.












Foto; Um M-41 original no Museu Conde de Linhares.
Fonte: Coleção do autor.









Foto: Detalhe da lateral da torre do M-41 original.
Fonte: Coleção do autor.











No Brasil, após sua chegada passaram a equipar as unidades que utilizavam carros de combate. Ao longo de sua vida útil foram submetidos a uma série de repotencializações (a cargo da firma Bernardini), como a troca do motor a gasolina por um a diesel, o que aumentou sua traseira, e um canhão de 90mm como seu armamento principal.
Além destas modificações sua torre teve sua conformação alterada e foram acrescentadas lançadores de granadas fumigenas. Estas modificações resultaram no M-41C.



Foto: Um M-41C do exército brasileiro no 2o RCC em Pirassununga
Fonte: Coleção do autor.












Foto: Um M-41C exposto no CIBld. em Santa Maria.
Fonte: Coleção do autor.










Foto: Detalhe das caixas nas laterais da torre do M-41C. Notam-se também os lançadores de granadas fumígenas.
Fonte: Coleção do autor.











Modelo:
O modelo em questão é o da Tamiya e foi construído sem grandes modificações, excetuando-se os equipamentos (trens) adicionados. É interessante notar que no M-41 boa parte dos trens vão presos à torre ou na frente (É comum se ver pranchas de madeira em sua frente, travadas nas guardas dos faróis, para impedir a queda deste itens), devido ao comprimento de sua torre que cobre a parte traseira do casco. 
Foi utilizada em sua pintura o olive drab da Tamiya (XF-62), com um wash de Model Masters rust sobre a cobertura dos escapamentos, o que simula perfeitamente o desgaste dos M-41 reais.

























Obras consultadas:
Foss, Christopher E. The illustrated encyclopedia of world's tanks and fighting vehicles. London. Salamander books.  1977.
Mesko, Jim. M-41 Walker Bulldog in action. Carrollton. Squadron/signal. 1991.
Pollard, Spencer. Wanna Walker Bulldog. Military in scale. set 2002, 28-29.
www.wikipedia.org

domingo, 14 de agosto de 2011

Leopard 1 BE (Leopard 1A1 BR) - Parte 1

No final dos anos 90 o Brasil adquiriu seus primeiros carros de combate da família Leopard. Os carros foram comprados da Bélgica que usava um modelo feito especificamente para seu uso (Leopard 1 BE), semelhante ao Leopard alemão do quarto lote. Tenho visto estes carros serem chamados de Leopard 1A1A1 ou 1A1 BR.
Suas principais características são a luva termal envolvendo o canhão L7, a falta da blindagem em aplique, o sistema de mira óptica acompanhado do holofote, um sensor de vento cruzado na torre e uma série de caixas em seu casco.
Posteriormente alguns veículos receberam a blindagem em aplique da Blohm und Voss e outras melhorias, entretanto a maioria foi vendida sem estas.
O Brasil adquiriu uma boa quantidade, mas hoje estão desativados devido a compra dos Leopard 1A5.


O modelo:
Para o modelista é uma excelente oportunidade de construir um carro específico. A conversão pode ser feita a partir do modelo do Leopard 1A5 da Revell (kit no. 03028) ou da Italeri (kit 6481) os quais são rigorosamente iguais. Ambos contêm quase todas as peças necessárias para os dois modelos. As necessárias ao 1A1 BR encontram-se marcadas como peças a não devem ser usadas, mesmo assim algumas outras peças têm de ser produzidas.



Modificações:
Começando pela torre, cole o sistema de mira óptica ao invés da tampas (peças 123 e 124).
Cole os espigões para levantamento da torre (peças 136).
Não há modificações na caixa posterior nem no cesto em sua volta.



 
  Nesta foto vê-se claramente o sistema de mira óptico e o ponto de levantamento da torre (dianteiro).









 


Mesmo detalhe no carro real.
Fonte: Coleção de fotos do autor.















 Visào do ponto de levantamento posterior.











Detalhe do ponto de levantamento posterior.
Fonte: Coleção de fotos do autor.










A peça no. 215 deve ser colocada no topo da torre.





 Detalhe da peça (bastante fina) no centro do topo da torre.










 No carro real, o mesmo instrumento junto aos outros elementos encontrados no topo da torre..
Fonte: Coleção de fotos do autor.








Devido a grande quantidade de detalhes, optei por fazer vários posts a medida que for montando o carro.



Obras consultadas:
Jerchel, Michael & Sarson, Peter. Leopard 1 Main battle Tank 1965-1995. London. Osprey. 1995.
Scheibert, Michael. The Leopard - family. West Chester. Schiffer. 1989.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O Renault FT 17 - Primeiro carro de combate do Brasil

Embora não possua este modelo achei por bem postar este artigo 
como homenagem aos 90 anos da chegada dos blindados ao Brasil.


O Renault FT 17 é um marco na história dos blindados. Foi o primeiro carro de combate a  receber uma torre com 360 graus de giro no topo de seu casco. Este formato conjugado a posição do motorista à frente e o motor na parte traseira do casco seria adotado na maioria dos carros e persiste até os dias de hoje. O historiador S. Zaloga o considera o primeiro carro de combate moderno e foi usado da primeira guerra mundial até a primeira guerra árabe-israelense.
Além das características já citadas o Renault FT possui uma tripulação de dois homens, peso de 6,5 t. e é acionado por um motor de 4 cilindros à gasolina. Apresentava também uma característica cauda metálica que lhe facilitava a transposição de trincheiras.
Seu desenvolvimento se iniciou em maio de 1916, devido à necessidade de um blindado pequeno fácil de produzir e barato, capaz de transportar uma metralhadora, para compensar as dificuldades de produção dos blindados existentes na França naquele momento,  o St. Chamond e o Schneider.
Após um encontro com o futuro Gen. Estienne, Louis Renault, o fabricante de carros que não havia se interessado nos projetos de carros de combate médios, desta vez mostrou interesse no projeto de um carro de combate leve e concordou com o estudo deste veículo sob a direção de um de seus engenheiros Charles-Edmond Serre.
O primeiro protótipo em madeira ficou pronto em outubro de 1916 e em dezembro outro mais refinado sendo feito um pedido inicial de 100 unidades A partir daí recebeu a designação de FT que é simplesmente um código de designação dado em ordem sequencial aos produtos da Renault.
Enfrentou algum antagonismo até sua aceitação.
O modelo sofreu vários melhoramentos durante a guerra. O mais chamativo é o relacionado a sua torre e armamento, originalmente designado char mitrailleur possuia uma torre moldada redonda e levava uma metralhadora Hotchkiss de 8 mm. Houve mais duas versões de torre uma octogonal rebitada também chamada de torre Berliet e uma redonda e rebitada chamada de torre Girod. Ambas podiam ser equipadas com a Hotchkiss ou com um canhão Puteaux SA 18 de 37 mm. /L21 (vinte e um calibres de comprimento de tubo). Porém alguns problemas persistiram durante toda a guerra como a correia do ventilador de seu sistema de arrefecimento.
Outras versões surgiram como um equipado com um obuseiro de 75 mm. e uma versão produzida nos EUA com pequenas diferenças.

Em 1921 chegaram ao Brasil seus primeiros carros de combate, 12 Renaults FT 17, iniciando-se assim a história dos blindados no Exército Brasileiro. Parabéns a todos que com eles trabalharam e ainda trabalham.



O FT 17 no Bovington Tank Museum. Note-se a torre original moldada com seu topo obliquo.
Fonte: www.wikipedia.org










O FT 17 no Museu Conde de Linhares, com a torre Berliet.
Fonte: www.wikipedia.org


FT 17 com a torre Girod ecanhão 37 mm. no Centro de Instrução de Blindados do Exército. Aguardando restauração
Fonte: Coleção de fotos do autor






Detalhes da Torre Girod

Fonte: Coleção de fotos do autor





Detalhes da torre Girod
Fonte: Coleção de fotos do autor










Parte dianteira da suspensão mostrando a roda de madeira.
Fonte: Coleção de fotos do autor






Parte traseira da suspensão e casco. Nota-se ainda a ausência da cauda que o ajudava a cruzar trincheiras.
Fonte: Coleção de fotos do autor


















Foto: O mesmo FT 17 já restaurado, com sua pintura e emblemas originais.

Fonte: Coleção de fotos do autor.














Obras consultadas

Foss, Christopher E. The illustrated encyclopedia of world's tanks and fighting vehicles. London. Salamander books.  1977.
Gudmundson, Bruce I. On armor.Lonndon. Praeger. 2004.
http://en.wikipedia.org/wiki/Renault_FT
Macksey, Kenneth. Tank. Toronto. Ballantine Books. 1971.
Smith, Uri. Tanks & weapons of World War I. Turnhout. BPC Publishing. 1973.
Zaloga, Steven. French tanks of wolrd war I. Oxford. Osprey. 2010.

Última atualização: 11/01/12

sábado, 23 de julho de 2011

Os T-62 da Síria

Este é um projeto de conversão fácil a partir do T-62 da Tamiya que torna o carro bastante específico com pouco trabalho de bancada e uma pintura mais interessante que o verde da URSS.

Base histórica:


Desde a guerra do Yom Kyppur em outubro de 1973 a Síria vem usando os T-62 russos. Naquela guerra eles equipavam apenas algumas das formações blindadas Sírias, sendo menos comuns que os T-55. Manteve-se em serviço desde então inclusive nas intervenções no sul do Líbano.

Os T-62 apresentam algumas diferenças externas conforme seu ano de produção. O modelo 1972 foi exportado para as nações do oriente médio em grande quantidade, tornando-o bastante comum nos conflitos da área.
A diferença mais chamativa é a presença de um suporte para sua metralhadora na parte de trás da torre à direita. Também nota-se a estocagem de caixas de munição presas na torre à direita da escotilha do comandante do carro.



T-62 destruído pelos israelenses.











 Modelo:



 Foto do suporte anteriormente mencionado. Feito em plástico e metal










O suporte já fixado à torre.





















 Obras consultadas:
Asher, Jerry. The duel for Golan. Pacifica Military History. 1987.
Bishop M. & Stansell P. A. Soviet T-62 main battle tank. Grenadier Publishing. 1990.
Zaloga, Steven. T-62 main battle tank 1965-2005. Osprey Publishing, 2009.